a) Introdução — O significado do temor a Deus
No Antigo Testamento, a palavra hebraica yir'ah (יִרְאָה) pode significar temor, medo ou reverência, dependendo do contexto.
(Na prática, o som fica aproximado a: "Yir-rá" (ou yir-r'ah).)
Em Eclesiastes 5, temer a Deus significa reconhecer sua santidade, autoridade e justiça, demonstrando respeito e obediência.
Não é simplesmente ter medo de um castigo. É reconhecer quem Deus é e viver de maneira responsável diante dele.
Provérbios 9.10: “O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria.”
Isaías 29.13: O Senhor repreende aqueles que o honram com os lábios, mas mantêm o coração distante dele.
O temor a Deus deve aparecer mais nas nossas palavras e nas nossas atitudes precisam confirmar aquilo que declaramos.
Podemos fazer uma pergunta à classe:
Será que uma pessoa pode conhecer a Bíblia, ocupar um cargo na igreja e, mesmo assim, não demonstrar temor a Deus em suas atitudes?
Sim. O verdadeiro temor também se manifesta na maneira de tratar as pessoas, administrar recursos, cumprir compromissos e praticar a justiça.
3. José do Egito — Temor diante da tentação
Gênesis 39.9: “Como, pois, faria eu este tamanho mal e pecaria contra Deus?”
4. Jó — Temor e integridade
Jó 1.1: “... homem sincero, reto e temente a Deus; e desviava-se do mal.”
5. Abraão — Temor demonstrado pela obediência
Gênesis 22.12: “... agora sei que temes a Deus...”
As pessoas possuem diferentes visões de mundo e maneiras de compreender a vida. Por isso, os conflitos fazem parte das relações humanas.
Aplicação bíblica — Romanos 12:18
"Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens."
Na engenharia, quando uma peça apresenta defeito, podemos substituí-la, corrigir as medidas ou recalcular o projeto.
Mas, ao lidar com pessoas, precisamos compreender suas histórias, personalidades, limitações e dificuldades.
Não podemos simplesmente descartá-las porque possuem defeitos, opiniões diferentes ou dificuldades de relacionamento.
O temor a Deus deve nos ensinar a agir com paciência, justiça e respeito.
Nem todo conflito é negativo
Nas relações humanas, segundo a qual os conflitos são naturais e podem produzir resultados positivos quando bem administrados.
Aplicação bíblica — Provérbios 27:17"Como o ferro com ferro se aguça, assim o homem afia o rosto do seu amigo."
Para ensinar na classe:
Dentro da igreja, duas pessoas podem discordar sem que uma delas seja inimiga da outra.
Precisamos distinguir uma discordância respeitosa de atitudes como orgulho, agressividade, injustiça e falta de ética.
Temer a Deus não significa concordar com tudo, mas saber discordar sem perder o respeito.
Miqueias 6.8: Deus requer que pratiquemos a justiça, amemos a misericórdia e andemos humildemente com ele e com o proximo.
Romanos 3.23: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.”
Cada pessoa tem sua personalidade, seu temperamento, suas fraquezas e sua história de vida.
Alguns defeitos que precisamos reconhecer:
Orgulho: dificuldade de admitir que estamos errados.
Vaidade: desejo excessivo de reconhecimento e elogios.
Inveja: tristeza diante das conquistas dos outros.
Ciúme: sentimento que pode gerar desconfiança e atitudes injustas.
Ganância: desejo de possuir cada vez mais.
Impaciência: dificuldade de compreender as limitações alheias.
Prepotência: usar a autoridade para humilhar ou desprezar pessoas.
É importante distinguir os defeitos morais das diferenças de personalidade.
Ser tímido, reservado ou emotivo, por exemplo, não é pecado.
Algo emotivo é tudo aquilo que desperta, comove ou é capaz de tocar profundamente as emoções e os sentimentos de uma pessoa.
7- Isso nos ajuda a ensinar que temer a Deus não significa apenas reverenciá-lo durante o culto.
Significa também viver com justiça, ética, humildade e respeito pelo próximo e não somente na "Igreja"
Eclesiastes 5:1
1 - GUARDA o teu pé, quando entrares na casa de Deus; porque chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal. Miqueias 6.8 e Tiago 2.1-9.
8-Salomão se refere ao lugar de adoração a Deus, especialmente ao Templo de Jerusalém.
A Casa de Deus era o lugar destinado ao culto, à oração e aos sacrifícios.
1° Casa de Deus
A casa de Deus descrita em Eclesiastes 5:1 não é a parede fria do templo, mas sim a postura de reverência, temor, escuta atenta e sinceridade com que nos aproximamos do Criador, algo que deve se refletir tanto nos momentos de oração quanto na nossa conduta justa e íntegra no dia a dia, longe de rituais vazios ou de posturas opressoras.
2º Não se limita a estruturas materiais
Bíblia deixa claro que o Criador não se limita a estruturas materiais.
O apóstolo Paulo reforça no Novo Testamento (como em Atos 17:24) que “o Deus que fez o mundo e tudo o que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos humanas”. Portanto, "a casa de Deus" na perspectiva de Eclesiastes não se resume à arquitetura ou às paredes do edifício.
1 Coríntios 6.19:
“Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós...?”
Paulo ensina que o corpo do cristão pertence a Deus e deve ser usado para glorificá-lo.
1 Coríntios 3.16:
“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”
Aqui, Paulo fala à comunidade cristã, mostrando que a Igreja também é habitação do Espírito de Deus.
“No Antigo Testamento, Salomão orientava o povo a entrar com reverência na Casa de Deus.
No Novo Testamento, aprendemos que devemos viver com reverência a Deus em todos os lugares, pois somos templo do Espírito Santo.”
b) Prevenção contra a vaidade diante de Deus
É quando o ser humano se preocupa mais com sua aparência, posição, autoridade ou reconhecimento do que com a sinceridade do seu coração diante do Senhor.
1 Samuel 16.7: “O homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração.”
Podemos frequentar a igreja, exercer cargos e conhecer as Escrituras, mas precisamos examinar nossas verdadeiras intenções.
10-Aplicação: Antes de corrigir ou julgar alguém, precisamos ouvir, compreender os fatos e agir com justiça.
Eclesiastes 5.4-5: Salomão ensina que é melhor não fazer um voto do que fazê-lo e não cumprir.
11-O temor a Deus combate a vaidade
O temor a Deus nos ensina a reconhecer que ninguém é superior aos outros por possuir riquezas, títulos, conhecimentos ou posições religiosas.
Filipenses 2.3: “... por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo.”
c) A vaidade das riquezas e do trabalho excessivo
Eclesiastes 5.10:
“O que amar o dinheiro nunca se fartará de dinheiro; e quem amar a abundância nunca se fartará da renda; também isso é vaidade.
1 Timóteo 6.10: “Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males...”
Aplicação: O problema não é possuir bens, mas permitir que eles dominem nosso coração.
A riqueza é passageira
Eclesiastes 5.15: Salomão lembra que, assim como o homem veio ao mundo sem nada, também partirá sem levar suas riquezas.
Mateus 6.19-21: Jesus ensina a não acumular tesouros somente na terra, pois onde estiver nosso tesouro, ali estará também nosso coração.
Perguntas para os alunos
Qual é a diferença entre trabalhar para viver e viver somente para trabalhar?
É possível uma pessoa ser rica e, ao mesmo tempo, humilde e temente a Deus?
Quando o desejo de prosperar começa a se transformar em ganância?
Conclusão do segundo tópico
A riqueza deve ser nossa serva, nunca nossa senhora.
Deus não condena o trabalho, o crescimento profissional nem a prosperidade honesta. O perigo está em permitir que o dinheiro ocupe o lugar de Deus em nossa vida.
Reflexão final para a classe: O homem pode possuir muitas riquezas e viver sem paz; outro pode possuir pouco e viver agradecido e feliz. O verdadeiro valor da vida não está apenas naquilo que acumulamos, mas na maneira como vivemos diante de Deus e do próximo.
Bíblia Sagrada — Eclesiastes, Provérbios, Gênesis, Jó, Isaías, Miqueias, Mateus, Lucas, Marcos, Romanos, Tiago e 1 Timóteo.
Revista da Escola Bíblica Dominical: Lição 5
PAULA, Rita Galgani Barchik de. Gestão e Mediação de Conflitos, Aula 1, E-book 09358, páginas 2, 3 e 7.