Pastor Muller e sua  digníssima esposa  Miriam Inthurn

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O pecado original
O pecado original

O pecado original

 

A esta altura já deve estar bem entendida a questão da universalidade do pecado, pois há inúmeros textos da Bíblia que se referem a este assunto. Os versículos que seguem apenas reforçam este fato:

 

  • “Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos: não há quem faça o bem, não há sequer um” (Sl 14.3);
  • “... pois não há homem que não peque” (1 Rs 8.46);
  • “Quem poderá dizer: Purifiquei o meu coração, limpo estou de meu pecado?” (Pv 20.9).

 

Não obstante ao costume de chamarmos a natureza pecaminosa humana de “pecado original”, é melhor entendê-la como sendo “corrupção herdada” ou “culpa herdada”. É importante saber alguns conceitos teóricos sobre o “pecado original” avaliados por idéias relevantes e de grande importância ao estudante de teologia. Destacamos os seguintes posicionamentos:

 

Pelagianismo

Pelágio viveu no século IV (360-420 d.C.). Teólogo britânico teve uma vida exemplar e piedosa. A doutrina professada por Pelágio e seus partidários foi a primeira heresia do Ocidente cristão. Seus conceitos foram desenvolvidos de forma contundente sobre a hamartiologia. Pelágio não acreditava na existência do “pecado original”, pois, se a pessoa é capaz de fazer o bem exigido por Deus, segue-se que sua responsabilidade perante Deus é somente naquilo que ele tem competência para fazer. No caso, para Pelágio, a pessoa peca isoladamente, mas não porque possui a natureza pecaminosa herdada, isto é, dela é a decisão de pecar ou não, é a chamada “liberdade da vontade”. Conforme o respeitado teólogo Charles Hodge, em sua obra “Teologia Sistemática”, Pelágio ensinava que, “se a natureza fosse pecaminosa, então Deus, como o autor da natureza, seria o autor do pecado”. Sendo assim, o prejuízo do pecado de Adão foi somente a ele mesmo e não estendido à raça humana.

Em se tratando do “efeito morte” após o pecado, ele (Pelágio) desconsiderava que esse efeito fosse motivado pelo pecado de Adão, mas que este, pecando ou não, fatalmente morreria. Segundo este pensamento, a morte nada mais é do que uma companheira do homem e este, mesmo desconhecendo o evangelho, mas vivendo uma vida digna, seria capaz de adquirir a vida futura no céu. O julgamento do homem seria baseado conforme o que ele conhece e o que pratica, ou seja, unicamente em seus atos individuais.

Contudo, o ensino bíblico contraria a idéia de que somos responsáveis somente por aquilo que podemos, aquilo que temos a capacidade de fazer. As Escrituras Sagradas declaram que nos encontrávamos “... mortos em ofensas e pecados” (Ef 2.1), e que antigamente “... andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também” (Ef 2.3).

Se a única responsabilidade humana é a capacidade de obedecer a Deus, fazendo o bem, então, os pecadores extremados, debaixo do jugo do pecado, são até menos culpados perante Deus do que os cristãos fiéis e esforçados em agradá-lo por meio da obediência, e isso seria um grande absurdo. No entanto, a Bíblia afirma: “Sede vós, pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.48).

 

Arminianismo

Entende-se por arminianismo a teologia dos seguidores de Jacó Armínio, um teólogo reformado holandês, que viveu entre 1560-1609 d.C.

Ensinava que recebemos de Adão uma natureza corrupta e que, em face disso, o ser humano é incapaz de cumprir os mandamentos de Deus, precisando assim da ajuda divina. A despeito de termos herdados a pecaminosidade de Adão, não somos responsáveis pela sua queda. Neste sentido, a culpa do seu pecado não é imputada ao homem, somente sendo herdada de Adão a incapacidade de obedecer a Deus, se este (Deus) não o auxiliar.  O plano expiatório previsto por Deus, por intermédio da morte de Cristo neutraliza a corrupção herdada de Adão, dizem os arminianos. A culpa herdada foi removida pela morte de Cristo. A única responsabilidade do homem, ainda concernente ao pecado, seria em relação aos seus próprios atos voluntários e pelas conseqüências de tais atos.

A atenção especial dos arminianos está no ensino do livre arbítrio. Para Armínio, embora a salvação seja obra de Deus, o homem pode aceitá-la ou rejeitá-la. Afirmava que a eleição de Deus para a salvação tem por base em seu propósito eterno e imutável somente “aqueles que, por intermédio da graça do Espírito Santo, crerão em seu Filho Jesus”.

 

Calvinismo

Por definição, calvinismo compreenderia os ensinos, a teologia, de João Calvino, importante teólogo do século XVI (1509-1564 d.C.). Tratando sobre a questão problemática da origem do desejo pecaminoso, o grande estudioso R.C Sproul afirmou que Deus não pode dar a ninguém o desejo de pecar e que originariamente, nem Lúcifer nem Adão tinham natureza pecaminosa. Esta afirmação é uma contraposição dele ao livre arbítrio. Este ensina que a liberdade humana é capaz de tornar o mal possível. Jonathan Edwards, parcialmente contrário ao livre arbítrio, afirmou que o desejo para o mal vem de nossa natureza caída, que somente desejará o mal sem a liberdade da escolha humana. No entanto, este fato não isenta a pessoa da responsabilidade moral pela sua escolha. Diferentemente do arminianismo, que enfatiza a “pecaminosidade herdada”, o calvinismo enfatiza o “pecado original”. Para os calvinistas o pecado de Adão não foi um ato isolado, mas é o nosso pecado também. Esta questão é importante e pode ser entendida por dois ângulos que seriam:

 

O conceito criacionista da origem da alma

Esta doutrina ensina que Deus criou a alma humana especialmente para cada indivíduo e unida ao corpo no nascimento. Este conceito posiciona Adão como o único detentor do “pecado original”. Isto é explicado pelo fato de a raça humana não estar presente nem psicológica ou espiritualmente em nenhum de nossos ancestrais, nem em Adão. Este seria, simplesmente, o nosso representante, e suas ações provocaram o efeito passando em todos os seus descendentes. Pecando Adão somos também considerados pecadores e culpados perante Deus. A aliança entre Deus e Adão remete toda a corrupção e culpa a nós, pois ele é o nosso representante, assim como Cristo foi nosso representante para promover a expiação.

 

O conceito traducionista da origem da alma

Este conceito ensina que a alma humana é transmitida pelos nossos pais e está relacionada com o momento da concepção, da mesma forma como absorvemos a natureza física. Segundo este pensamento, quando Adão pecou, estávamos com ele presentes de forma germinal ou seminal, passando logo após por nossos ancestrais até chegar em nós. Quando Adão pecou, não se tratou de um pecado individual, mas do ato de toda a raça humana. O ponto mais positivo deste posicionamento é que não há injustiça no fato de termos uma herança pecaminosa e corrompida e que, devido a isso, somos pecadores. Estaria aí a resposta à pergunta que todos fazem: “O que eu tenho a ver com Adão?”

Estas correntes de pensamento nos levam a ponderar sobre a complexidade do pecado em dois sentidos. A primeira questão é que, não obstante herdarmos a natureza pecaminosa e corrompida de Adão, cada um dos seres humanos são responsáveis diante de Deus por seus atos cometidos individualmente. A segunda é que o pecado de Adão reflete-se no mesmo pecado das pessoas, e não são apenas atos individuais praticados livremente, mas que Adão agiu por todos quando pecou no jardim do Éden.

 

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