Pastor Muller e sua  digníssima esposa  Miriam Inthurn

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Sacrifício, Reconciliação e Redenção
Sacrifício, Reconciliação e Redenção

Sacrifício, Reconciliação e Redenção

 

Sacrifício

 

O estudo dos conceitos anteriormente analisados, não nos exime da exigência do conhecimento das questões que explicam as muitas implicações do sacrifício vicário procedido por Cristo. A própria terminologia bíblica molda características peculiares a esta doutrina.

A apreciação crítica do texto bíblico conduz o leitor à compreensão de que o sacrifício está no âmago de toda a obra redentora, assim figurada tanto no Novo como no Antigo Testamento.

A figura de um cordeiro como vítima imolada, representando parte do drama da salvação e da redenção humana, está localizada, originariamente, na Páscoa do Êxodo (12.1-13). Com fundamento em Hebreus 9.22: “... sem derramamento de sangue não há remição”, subsume-se mais claramente a idéia de que, vendo Deus o sangue animal que era aspergido no ritual sacrificial, “passava por cima” da culpas então expiadas daqueles que haviam oferecido a libação.

Quando o fiel do Antigo Testamento pousava as mãos sobre sua oferenda, isso tinha uma conotação que ia muito além do mero e simbólico ritual, era como uma identificação, ou seja, tornava-se o sacrifício do próprio ofertante, como que dizendo: “Estou sacrificando isto em meu lugar”.

Esta avaliação encontra forte alicerce na declaração de Paulo em sua carta aos romanos (6.23), nos termos: “Porque o salário do pecado é a morte,...”, que bem demonstra a responsabilidade de cada ação pecadora que é exercida sob o sol por cada criatura humana, isto é, que cada uma delas (... o salário do pecado... – singular) é digna de condenação eterna, daí a necessidade de ofertante – para o advento da lei – proceder em intermináveis oblações, visto que cada pecado representava “uma morte”.

Esta figura de sacrifício veterotestamentária é reconhecida no Cristo Salvador nitidamente por qualquer estudante primário da matéria teológica, na forma de um dos pensamentos mais coesos da Igreja Cristã.

A oferta sacrificial entregue pelo próprio Deus foi testemunhada na forma de revelação por João Batista: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29).

Com esta declaração, João aponta a Deus como ofertante e Jesus Cristo como sua oferta, todavia, este sacrifício não se prendia à ineficácia daqueles elencados na lei mosaica, visto que a eficiência deste solucionou o problema da culpa de uma única vez (Rm 6.10) e por toda a humanidade (Jo 3.16,17).

Igualmente Filipe, enquanto ministrava seu breve (mas eficaz) discipulado junto ao eunuco da rainha de Candace (At 8), relembrou o texto de Isaías 53.7, no qual a figura do cordeiro que é conduzido à morte em silêncio é reconhecidamente aplicada a Cristo como um antítipo, sendo que, no que concerne ao quesito vontade, é notável a semelhança do animal (cordeiro) ao Cristo.

A irracionalidade do cordeiro o impede de questionar seu dono bem como sua vontade, apenas realizando-a, enquanto que para o Cordeiro de Deus, distinguia-se apenas a racionalidade, aliás, multiforme, já que havia sido enviado para cumprir a vontade do Pai, “o ofertante” (Lc 22.42).

“... Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” (1Co 5.7). Neste pensamento o apóstolo Paulo desenvolve um simbolismo ao sugerir que o sacrifício pascal, como sombra das melhores coisas que haviam de vir, apontava para o sacrifício perfeito do Cordeiro sem mácula, Jesus Cristo (Hb 10.1).

Os termos “propiciação” e “expiação” possuem uma estreita ligação com a noção de sacrifício, sendo empregados no conteúdo bíblico com o intuito de proclamar a significação especial do sacrifício de Cristo.

Nos idiomas originais, essas terminologias estão identificadas nas palavras kipper (hebraico – A.T.) além de seus derivados, e hilaskomai (grego – N.T.) além de seus derivados. Nos dois grupos de termos o significado é “aplacar”, “pacificar” ou “conciliar”, este último com sentido de “propiciar”, além de “encobrir com um preço” e numa tradução mais adequada ao contexto, “fazer expiação por”.

A aplicação do significado de cada uma dessas derivações pode variar de acordo com o pensamento de cada escola teológica, preservando-se, é claro, a ortodoxia como base imutável da doutrina.

Por último, acerca do sacrifício, a Bíblia abandona a crueza freqüentemente associada aos rituais pagãos de ofertas vivas, muitas vezes humanas. O Deus de Israel, Senhor do povo cristão, não pode ser assemelhado aos deuses sanguinários dos quais não era possível determinar ou, muito menos, prever qual a postura a ser exibida no próximo momento.

Esta mesma Escritura, todavia, ensina que este mesmo Deus, em seu amor, misericórdia e fidelidade às suas promessas, forneceu à humanidade os meios pelos quais sua ira contra o pecado poderia ser aplacada.

Em 1João 4.10, o autor nos explica que a caridade jamais poderá originar-se no homem e dirigir-se a Deus, como se fôssemos a Ele por sermos “bons”, mas sim, que esta providência redentora, que tinha por finalidade maior reconciliar o homem com Deus, fora tomada e exercida de forma drástica e única, porquanto proveu, no sacrifício, a redenção humana com seu próprio sangue (At 20.28).

Todos os dicionários bíblicos concordam em que os termos kipper e hilaskomai significam “propiciar” e “expiar”, a diferença, como já destacado, reside na forma como seu significado é aplicado nas matérias teológicas que exploram a expiação.

 

Reconciliação

 

Outro meio pelo qual a doutrina da expiação é ensinada, baseia-se nas passagens que se referem a nossa reconciliação com Deus, atribuída com exclusividade à morte de Cristo.

Duas referências paulinas dão vulto ao significado dos termos gregos empregados nas seqüências de Romanos 5.10 e 2Coríntios 5.18-20. O sentido encontrado na exegese destes textos fala sobre “trocar um estado de inimizade por um de amizade”, e ainda, “efetuar uma mudança completa, reconciliando” (Rienecker & Rogers, p.264).

O paralelo com as relações comuns do dia a dia lembra-nos que quando duas partes estão em inimizade, pode-se proceder a uma reconciliação desde que uma ou ambas as partes estejam propensas à mudança, isto é, deseje rever seus valores.

A reconciliação com Deus, conforme lemos nas páginas da Bíblia, tem o estrito significado de que a paz entre nós e Ele é restaurada, já que não havendo, por rejeição humana ao chamado divino, uma oportunidade de reconciliação, permanece sobre a criatura um sentimento de ira da parte de Deus, e não um sentimento de amor (Jo 3.36). Não é correto, todavia, afirmar haver contradições entre o “amor divino”, declarado nas Escrituras e o “estado de ira” comentado por João, dada a realidade de o amor de Deus já ter sido manifestado aos homens no monte Calvário. “Nós o amamos porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4.19).

Se restar-nos um questionamento sobre se essa reconciliação é efetuada pela extração de nossa inimizade para com Ele, ou se é sua justiça que é satisfeita a nosso favor, ou ainda, se existe uma fusão dessas duas idéias na ocorrência desta experiência, nossa resposta dependerá do contexto no qual os termos surgem e de sua aplicação na Palavra de Deus.

Na passagem de romanos analisada por Charles Hodge (Rm 5), fica evidente que a reconciliação originou-se no fato de a justiça de Deus ter sido satisfeita, de modo que Ele nos tornou propícios e em consonância com sua própria natureza, e fundamenta ser evidente:

 

  • Porque o meio pelo qual a reconciliação é cumprida, exclusivamente, é a morte de seu Filho, quando, de acordo com o Antigo Testamento, vê-se a providência sacrificial colocada como finalidade de expiação. Considerar uma reconciliação que tem como efeito da expiação necessária apenas o fim da inimizade com Deus, diminuiria o valor do desígnio divino no ato sacrificial.

 

  • “... fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho...” (v.10) está intimamente relacionado com “... tendo sido justificados pelo seu sangue...” (v.9). Num sentido mais estrito, assim como não se deve ter a“santificação” como “justificação”já que a primeira não expressa uma mudança pessoal no pecador, não se verá uma mudança na natureza do indivíduo que esteja meramente baseada na reconciliação; ato divino planejado, já executado e que se acha à disposição do pecador (2Co 5.19). ,

 

Muitas vezes, a expiação é mal entendida e, por conseguinte, mal interpretada. Algumas linhas de interpretação equivocadas compreendem que Deus estava irado com o pecador e por isso mesmo se afastou, até que se aplacasse a sua ira, quando então, Cristo Jesus se ofereceu para a execução do Plano de Salvação.

A partir dessa equivocada interpretação, sustenta-se a tese de que, pelo sacrifício vicário de Cristo, Deus teria de ter sido reconciliado com o homem, formando na verdade uma paródia da íntegra doutrina.

A Bíblia esclarece que a parte ofendida com o pecado humano (Deus) é que proveu o sacrifício para que a humanidade pudesse ter esperança. A ordenança dos ritos sacrificiais é divina, sendo Ele mesmo o provedor e concessor do próprio Filho Jesus para a imolação. Este resumo de atribuições nos mostra que Deus é o autor da redenção humana.

Tal é essa verdade, que ainda que sua majestade e santidade tenham sido feridas pela transgressão humana, Ele mesmo, a despeito da ofensa, manifesta seu interesse em que todos os homens, sem exceção (ou acepção), arrependam-se e sejam salvos (Ez 33.11).

O “trocadilho” construído pelos criadores dessa equivocada doutrina, sobre que Deus precisava ser reconciliado com o homem, vai de encontro ao que Paulo redigiu a este respeito: “... Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo...”.

O ato da reconciliação, firmado na cruz, se consumou por ocasião da morte de Cristo; já realizada em benefício dos homens, propiciando condições para que a salvação seja alcançada por todos os homens, descansando o universo, agora, numa fase em que se aguarda a resposta do homem ao chamado, visto que a parte que cabia a Deus já está conclusa (1Jo 4.19).

Após o ato do mártir Jesus Cristo, prossegue-se que aqueles que já creram se proponham ao evangelismo para anunciação aos homens do Plano de Salvação e de sua respectiva execução, para que cada indivíduo, ouvindo, creia e receba como verdadeira a Palavra, pois resta tão somente a ele tornar esta reconciliação real.

 

Redenção

 

A palavra “redimir” não possui significado diverso se analisada no Antigo ou no Novo Testamento, qual seja, “tornar a comprar por um preço”, “livrar da servidão das custas” e ainda “comprar e retirar da venda”. Jesus Cristo, Homem, é o Redentor proposto por Deus e que já era citado no advento veterotestamentário (Jó 19.25), ministério que foi corroborado pelo Cordeiro (Mt 20.28) e reconhecido pelos seus discípulos (Gl 3.13; 1Pe 1.18).

Uma das ilustrações mais significativas acerca da redenção se acha no Antigo Testamento, na norma referente ao resgate de um parente. A seqüência de Levítico 25.47-49 regulamenta a redenção do estrangeiro com base em três requisitos:

 

  • Deveria o resgatador possuir grau de parentesco com aquele que havia vendido seu patrimônio ou se escravizado a si mesmo;
  • Não poderia haver coação, o desejo de resgatar o patrimônio ou a própria pessoa deveria partir do resgatador em potencial;
  • Deveria, obviamente, possuir condições de pagar por este resgate.

 

Jesus reuniu todas estas prerrogativas quando da execução do plano divino que previa o resgate de todos os homens. O parentesco provém da encarnação em forma e natureza humana em todas as suas vicissitudes (sem ceder à qualquer delas), sem as quais não se poderia considerar o sacrifício como válido, já que transpô-lo valendo-se de atributos sobrenaturais corromperia o plano, posto que o sofrimento poderia ser ignorado.

O desejo de redimir a humanidade ficou manifesto por todo o propósito salvífico (Jo 3.16), mas em especial pela realização do sacrifício; a entrega voluntária (Gl 2.20; Ef 5.2).

Sua divindade, e em especial o atributo exclusivo do criacionismo (criou e por conseqüência lhe pertence – Sl 24.1), possibilitou-lhe pagar pelas iniqüidades de suas criaturas (At 20.28; Hb 9.22).

A inigualável honraria de termos tido por resgatador a Deus, coloca-nos em situação de eterna dívida para com Ele, pois se não procedesse o Senhor dessa maneira, todos, de igual modo, pereceríamos. Este conceito deriva do fato de que cada um de nossos pecados corresponde a uma sentença de morte (espiritual), já que toda transgressão é uma ofensa a Deus, e como tal, exige um sacrifício de sangue (Hb 9.22).

A redenção realizada por Cristo em benefício de todos os homens, confrontada com as normas que Levítico estipula para redimir os que se haviam escravizado pelo pecado por quaisquer motivos, encontra um paralelo claro nas palavras de Paulo nos seguintes termos: “... não sois de vós mesmos [...] Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1Co 6.19,20).

Esta exposição paulina oferece compreensão acerca das muitas vezes nas quais este mesmo apóstolo se auto propõe o título de “servo” e até “prisioneiro” de Cristo (Rm 1.1; Ef 3.1).

Jesus manifesta a impossibilidade do homem resgatar-se a si mesmo das culpas que alcançam a esfera espiritual e que lhe vetam o acesso à glória do Pai (Rm 3.23), questionando: “... que daria o homem pelo resgate da sua alma?” Esta indagação quer elevar o homem ao entendimento de que a alma, o verdadeiro âmago do homem, uma vez perdida, não poderia mais ser resgatada ou redimida, e isto com maior razão no advento cristão, já que uma das cláusulas do resgate – possuir o valor necessário para tal – era prerrogativa exclusiva de Cristo.

O homem abastado materialmente, por vezes, orgulha-se por supostamente não carecer da guarida divina, entendendo que todas as sua necessidades poderão ser supridas com seu patrimônio, segundo sua ignorância acerca das questões espirituais, o que não o exime da responsabilidade moral que tem diante do seu Criador.

Aqueles que consideraram o sacrifício de Cristo como “moeda” de resgate por suas almas, conforme o texto: “havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz” (Cl 2.14), crendo da mesma forma como Paulo e Silas orientaram ao carcereiro de Filipos, deixaram de ser escravos do maligno senhor que os escravizava.

Os costumes naturalmente pecaminosos que o homem adota durante sua vida terrena estão filiados à prática mundana ditada por Satanás (2Co 4.4); são aqueles dos quais os redimidos foram resgatados, isto é, “a vã maneira de viver” (1Pe 1.18).

A palavra “vã”, neste contexto, significa “vazia”, “coisa que não satisfaz”. Tomando esta concepção por princípio, concluímos que a vida terrena, antes de o homem aderir à redenção proposta por Cristo Jesus, é nula e “vã”; inútil, e seus frutos não podem conceder ao indivíduo qualquer benefício que lhe ampare espiritualmente, já que, não sendo “iluminado” para que encontre o “objeto” de sua eterna busca (Deus), passará a existência procurando às apalpadelas, tal qual cego na penumbra.

Jesus nos poupa dessa escuridão e nos isenta dessa eterna procura, sendo Ele mesmo “o caminho, e a verdade, e a vida...” (Jo 14.6).


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Pastor Muller

 

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